Como criar ambientes mais inclusivos nas empresas?

sobre fundo degradê do verde escuro ao claro, o título Vozes Inclusivas em branco e foto de Rodrigo à direita

Na última década, os temas ligados à Diversidade, Equidade e Inclusão (sigla “DE&I”) entraram com tudo pela porta da frente das organizações. Além disso, virou tema central de muitos webinários e de transmissões ao vivo (as chamadas “lives”) durante a pandemia e ganhou mais corpo nos debates acalorados nas redes sociais. Há indicadores de sobra para nos sinalizar que o tema de DE&I veio pra ficar e que efetivamente traz incontáveis resultados não só para as pessoas, pessoal e profissionalmente, como para as organizações onde elas trabalham.

No Brasil, não tem sido diferente. Na segunda edição do estudo Oldiversity, realizada pelo Grupo Croma com 2.032 entrevistas on-line em 2020, mostrou que 77% das pessoas de nosso país aceitam a busca por maior diversidade, seja no âmbito social ou profissional. Um outro estudo, desta vez feito pelo LinkedIN e chamado “O Cenário de Vendas no Brasil”, pesquisou 400 compradores e 400 profissionais de vendas do país em fevereiro de 2021 e descobriu que 88% das empresas brasileiras preferem fazer negócios com companhias que tenham a diversidade como um pilar essencial.

Podemos dizer que, a esta altura do campeonato, as empresas já entenderam a pergunta “por quê DE&I?”. Agora vem a fase seguinte desta esteira que é “como fazer DE&I”? É este momento que boa parte das empresas se encontram neste momento. Por isso, colocamos aqui algumas dicas importantes para que consigamos sair do discurso e irmos para a prática, aliando esmero no planejamento e excelência nas execuções.

1. Conheça a ti mesmo(a) e com quem trabalhas

Crie mecanismos para melhor conhecer a população que compõe a empresa onde você trabalha deve ser uma condição permanente. Com base em fatos e dados, o planejamento de iniciativas em DE&I são enormemente mais efetivas. “O remédio só tem efeito quando se conhece o que a pessoa tem”.

1.1 Pesquisa interna: você pode organizar uma espécie de censo populacional interno com perguntas sobre raça, deficiência, religião, restrições alimentares e outras questões da diversidade humana. Importantíssimo garantir e cumprir compromissos em termos de confidencialidade, proteção e segurança desses dados coletados! Consulte as áreas de compliance e inteligência de mercado para melhor assessorá-lo neste ponto. Quanto mais dados você puder cruzar, mais análises conseguirá ter. Dados demográficos, avaliações de desempenho, remuneração e relatórios de feedback de clientes podem fazer parte destas análises.

1.2 Diálogos internos: promover rodas de conversa com um tema central, organizar cafés virtuais informais para bater-papo e criar materiais de comunicação que apresentam histórias reais das pessoas são outras ferramentas ricas para cada vez mais conheceremos e nos aproximarmos dos universos particulares das outras pessoas.

2. Exercite diariamente a empatia

2.1 Escuta ativa: ouvir a outra pessoa com atenção é 80% da empatia. Tudo começa com ouvidos bem abertos e julgamentos bloqueados. Ouça o que a pessoa fala, sem criticar ou concordar. Simplesmente, esqueça de você e se entregue para aprender sobre o universe da outra pessoa. Quanto mais diferente for a pessoa de vocês, maior a atenção neste proceso de escuta ativa!

2.2 Puxe papo com pessoas desconhecidas: o aumento de repertório informacional é um dos elementos importantes para se tornar uma pessoa mais inclusiva. Um bate-papo despretensioso com alguém que você sequer sabe o nome pode ser transformador. Você vai se surpreender (e, por vezes, se afinizar) com as histórias dessas pessoas e passar a conhecer outras visões de mundo, além da sua.

2.3 Vista os sapatos de outrem: um bom exercício é trabalhar na área da pessoa por um dia ou acompanhar alguém por algumas horas em sua rotina seminal de trabalho. Essa troca ainda que momentânea de papéis ajudará você a ser uma pessoa mais paciente, mais observadora e mais inclusive. Lembre-se: toda moeda tem dois lados.

3. Estimule a cocriação e a coparticipação

Somos serem gregários por natureza e nos sentimos valorizados quando recebemos o convite para participar ou fazer algo. Se na sua empresa ainda não existe comitê(s) de diversidade, crie. Se já existe, fomente a interação com as lideranças e demais áreas. Se já existe cocriação e coparticipação, compartilhe informações educativas e sobre iniciativas internas com TODO MUNDO. Toda alma conta e é bem-vinda na jornada de DE&I. E lembre-se: DE&I não é um tema só do RH, mas de toda a empresa.

4. Adote o conceito de desenho universal

Nascido nas áreas de design e da arquitetura nos anos 80, o desenho universal é conceber produtos e serviços para o maior número possível de pessoas com o mínimo de adaptações. Procure usar esta filosofia em tudo o que você faz. Não pense apenas neste ou naquele grupo de afinidade. Pense de forma mais ampla e procure visualizar como todos os grupos de pessoas podem ser beneficiar do que você está imaginando e fazer da empresa um lugar mais inclusivo.

Rodrigo Credidio é consultor em empatia e comunicação inclusiva. É sócio-fundador da Goodbros e co-criador da Oficina de Empatia. Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, trabalhou na área de marketing e em agências de propaganda por 16 anos. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos ligados à empatia, diversidade e acessibilidade.