Os fundamentos da acessibilidade no mundo analógico e digital
 plano aproximado de um jovem olhando para baixo com ouvido esquerdo bem próximo a um aparelho celular, que está em suas mãos. Ele tem cabelos pretos e veste moletom azul. Foto: VCG (China Daily)

Você já deve ter ouvido falar muitas vezes sobre acessibilidade. E de acessibilidade digital? O que talvez você não saiba é que existem diversos conceitos e fundamentos que regem este assunto. Em algum nível, a acessibilidade é importante para pessoas sem deficiência, mas é essencial para pessoas com alguma deficiência, seja física, auditiva, visual ou intelectual.

Para que possamos entender e definir o que é a acessibilidade, é essencial que entendamos antes o conceito de barreira. Segundo a Lei Brasileira de Inclusão (LBI 13.146), de 2015, barreira é “qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros”. Ou seja, objetos, mobiliários, edificações são barreiras. Mas linguagem, cores, símbolos e até comportamentos de pessoas também podem virar barreiras, dependendo da situação.

Os componentes da acessibilidade
E é exatamente aqui que a acessibilidade surge: quando da ausência dessas barreiras. A própria definição do termo “acessibilidade” traz três elementos importantes.

  1. Autonomia e independência. Se alguém precisar de ajuda, por menor que seja, para subir uma rampa, acessar um site de internet ou fazer um pedido no restaurante já se configura uma barreira e, portanto, não existe acessibilidade plena nestes casos.
  2. Segurança. O acesso a um lugar, a um conteúdo ou até mesmo a uma pessoa deve garantir a integridade física e moral da pessoa. Se esta integridade é colocada em risco, podemos dizer que falta acessibilidade. Exemplos disso são os recursos de segurança para compras online ou para preenchimento de dados em um formulário.
  3. Desenho Universal. O último — e não menos importante — aspecto que compõe a acessibilidade é a capacidade de se atender o maior número possível de pessoas, com e sem deficiência. Quanto mais abrangente um produto ou serviço puder ser, melhor. Mais universal estará sendo. Se algo serve apenas para um grupo pequeno de pessoas, não se pode dizer que é acessível.

Resumindo, a definição mais simples e direta de acessibilidade é acesso sem barreiras ou obstáculos, com autonomia, segurança e para todos. O que nos leva a outro questionamento importante: como então deve funcionar a acessibilidade na internet, nos sites e aplicativos? E como tornar realidade?

O princípio é o mesmo. Segundo o consórcio internacional que rege as boas práticas da web no Brasil e no Mundo, acessibilidade web se trata da “possibilidade e da condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, dos sítios e serviços disponíveis na web”. Por isso a importância de se construir sites, portais, lojas virtuais e aplicativos onde todos possam acessar, sem discriminação, sem limitação, sem exclusão.

A acessibilidade existe para que todos se beneficiem, sem exceções. As pessoas com deficiência são as grandes contempladas desta conduta, é claro. Mas não apenas elas. Crianças, idosos, pessoas com mobilidade reduzida, estrangeiros, pessoas em fase de alfabetização, todos estes grupos, de alguma forma, se beneficiam quando as diretrizes da acessibilidade digital ou web são seguidas. Desenvolver um mundo com equidade — digital ou não — a partir do olhar de quem precisa de mais atenção é uma equação perfeita, uma vez que viabiliza uma participação mais plena na sociedade da pessoa com alguma deficiência sem atrapalhar os direitos de quem não possui deficiência. E, assim, o mundo fica muito mais legal, mais unido, com mais respeito e empatia.