#PraCegoVer: o que é isso?
um tablet em uma mesa, com as duas mãos de uma mulher e uma criança. A mesa é de madeira e o tablet possui um teclado de braille. Foto: Jule Eren/Deko.

Já parou para pensar como as pessoas cegas ou com baixa visão fazem para navegar na internet? Não?! Pois é, eles fazem exatamente como você faz: pega o celular ou liga o computador e usam. Simples assim. A diferença é que a maioria delas usa um recurso a mais, uma tecnologia assistiva, chamada de leitor de tela. Alguns até usam mais de uma tecnologia assistiva, como lupas eletrônicas, teclado Braille, dentre outras.

Mas foquemos no leitor de tela, que é um software que lê tudo que está escrito em sites, portais e aplicativos. Tudo que está disponível em formato de texto é transformado em áudio para que pessoas cegas e com baixa visão possam ter o mesmo usufruto de conteúdo que os demais usuários da internet.

Neste momento devemos nos perguntar: e quanto às imagens e vídeos? Como deixar estes conteúdos acessíveis? É aí que entra a função da “descrição” ou do “textos alternativos”. Popularmente, nas redes sociais, este recurso de traduzir imagens e vídeos em palavras ganhou a expressão “pra cego ver” ou “para todos verem”.

A “descrição” ou “texto alternativo” é um texto curto que descreve os principais componentes de uma foto, ilustração ou vídeo. Quando a descrição está associado a um vídeo, ela se chama “audiodescrição”.

Tipos de Descrição

Especificamente a descrição de imagens pode ser de dois tipos: curta ou longa. A descrição curta usa entre 100 a 140 caracteres e é o mais indicado para redes sociais ou sites onde há uma galeria de fotos. Textos curtos garantem o dinamismo, sem afetar muito a experiência do usuário com as páginas de internet ou aplicativos.

A descrição longa, por sua vez, possibilita um grau maior de detalhamento das imagens e vídeos e é mais indicado em conteúdos culturais, de entretenimento e educação.

Mas estas são orientações, não regras! O importante é prover aos usuários uma descrição que permita entender do que se trata as imagens e vídeos utilizados em determinado conteúdo.

Tem benefícios?

O maior benefício de se adotar a prática das descrições é de ganhar uma postura cidadã e respeitosa para com o próximo, pois desta forma você estará permitindo que o direito nato de acesso e usufruto de qualquer conteúdo na internet possa ser exercido por qualquer pessoa, com ou sem deficiência.

Além das pessoas com deficiência visual, há outros públicos que saem ganhando com as descrições das imagens, como é o caso de crianças, idosos, pessoas com dislexia, pessoas com Síndrome de Down, dentre outras.

Para te ajudar, separamos cinco dicas básicas (e preciosas!) para que você possa começar a partir de hoje a prática da descrição das imagens:

1. Comece com “Descrição da Imagem” ou então com os hashtags “Pra Cego Ver” ou “Para Todos Verem”. Além de orientar a pessoa com deficiência visual que ali terminou o texto da postagem e que começará a descrição, provoca a curiosidade nas outras pessoas que acessam seu blog ou rede social por quererem saber do que se trata. Desta forma, conseguimos educar e angariar mais adeptos da descrição das imagens.

2. Procure sempre responder a 4 perguntas básicas: quem ou o quê está na imagem? Como estão? Fazendo o quê? E Onde? Exemplo: duas crianças descalças, com bermuda e camiseta regata, estão sentadas na borda da piscina, sorrindo e molhando seus pés.

3. Não interprete e nem recheie as descrições com adjetivos. Cuidado. Como o próprio nome diz é uma “descrição”. Procure sem o mais isento possível e deixe a imaginação do usuário qualificar aquela imagem. Não procure definir emoções. Nestes casos, descreva expressões faciais e gestos apenas. O restante fica por conta da criatividade de quem ouvirá a descrição.

4. Analise o contexto e o objetivo do uso da imagem. Isto te ajudará a priorizar os elementos principais, eliminando aquilo que não vai agregar para o entendimento da imagem. Por exemplo, nem sempre o fundo de uma imagem ou tipo de vestimenta agrega numa descrição de imagem. Extraia o essencial de cada imagem. E isso aprendemos na prática e das interações com o público-alvo.

5. Explore o tipo de enquadramento, quando necessário. Se a foto é uma vista aérea, se é um ângulo de cima para baixo de alguma pessoa ou se é então um close de algum objeto, adicione isso à descrição. Isto estimula a imaginação e interpretação por parte de quem ouve a descrição.

Que tal? Vamos começar a adotar essa prática nas suas postagens de blogs, redes sociais e mensagens de WhatsApp? Beneficiar o máximo número de pessoas possível é um sinal de empatia que todos devemos desenvolver.