Crie eventos acessíveis e inclusivos
Plano aproximado de algumas fileiras de assentos tomados por pessoas, algumas com óculos escuros, outras com fone de ouvido e outras com Síndrome de Down

Não é de hoje que os eventos corporativos caíram no gosto das empresas e também pelos times de Recursos Humanos e Marketing. Além de serem totalmente customizáveis de acordo com os objetivos e orçamentos disponíveis, possibilitam falar olho no olho com o público-alvo da empresa. Sejam formadores de opinião, fornecedores, público interno ou clientes potenciais, os eventos reúnem uma série de condições para que haja uma maior efetividade na comunicação aliada a uma experiência marcante, o que trará louros benéficos à imagem de marcas e de toda uma corporação.

Mas até que ponto os eventos corporativos estão sendo pensados para atender a todos? Refiro-me às especificidades do público, como gênero, etnia, cultura, faixa etária, deficiência ou mobilidade reduzida. Será que todas as pessoas que vão aos nossos eventos, seja público interno ou não, saem de lá com vivências, impressões e residuais positivos? Uma forma de dirimir problemas e evitar incômodos é adicionar um ingrediente importantíssimo na etapa de planejamento: acessibilidade.

Acessibilidade é a possibilidade e viabilidade de alcance, aliado à uma utilização com segurança e autonomia de espaços, mobiliários e demais elementos para um exercício pleno e efetivo dos direitos por parte de qualquer pessoa, em especial aquelas com alguma deficiência ou mobilidade reduzida (idosos, gestantes, famílias com criança de colo, pessoas com obesidade). Traduzindo para nosso mundo, planejar um evento acessível é pensar no maior número de especificidades possíveis de cada pessoa, entregando o máximo de recursos para que tenham uma experiência incrível e memorável. Para facilitar a sua vida e até estimular a você a querer já implementar acessibilidade nos seus próximos eventos corporativos, preparamos aqui 6 dicas preciosas que vão fazer a diferença:

1- Perguntas sobre diversidade

Informação é tudo e um briefing bem feito diz muito sobre a qualidade do planejamento de um evento. Por isso, não tenha receio e inclua perguntas específicas sobre a diversidade do público do evento do cliente, como por exemplo: há pessoas com deficiência, com obesidade, com nanismo? Pessoas estrangeiras? Com exigências na sua dieta (ex: intolerância à lactose ou veganos)? E quanto à faixa etária?

2- Espaço para todos

Lembre-se, na hora de fazer uma visita técnica, dê preferência por espaços planos e térreos, com o mínimo de desníveis entre ambiente. Presta atenção quanto à presença de rampas com corrimão, elevadores e plataformas elevatórias, que propiciam a locomoção segura e independente de pessoas em cadeira de rodas, com muletas ou com alguma dificuldade de andar. Procure saber também da existência de banheiros adaptados e de sinalizações acessíveis (exs: com braile, avisos sonoros, com letras grandes e em relevo etc).

3- Transporte variado e acessível

Um dos pontos cruciais de qualquer evento, além da sua localização, é a variedade de formas para se chegar até ele. A proximidade de estações de trem, metrô e ponto de ônibus são quesitos importantes e que precisam ser comunicados à lista de convidados e convidadas. Se possível, sempre inclua o serviço de vallet no local ou de van entre um determinado ponto de transporte público e o evento. Além de facilitar o desembarque de pessoas que usam os serviços de aplicativos, este recurso é mais que bem-vindo para pessoas com mobilidade reduzida.

4- Atenção na divulgação

Ao se construir um hotsite ou se programar um email marketing, pense nas possibilidades de usuários que serão atingidos. Pode haver pessoas cegas, com baixão visão, daltônicas, com dislexia por exemplo. Por isso, a importância de se criar peças de divulgação acessíveis, respeitando tamanho de fonte, descrição de imagens, combinação de cores, alinhamento de texto.

5- Validação prévia com quem entende

Antes de disparar a comunicação e “colocar o trem elétrico na avenida”, peça uma avaliação por pessoas com deficiência para checar se algo passou desapercebido. Ter um grupo teste que valide toda e qualquer iniciativa de acessibilidade é o ideal a se fazer. Novas ideias podem surgir também neste momento. Se você ou seu cliente tem funcionários com alguma deficiência, peça ajuda. De quebra, você ganhará “embaixadores” que defenderão a proposta do seu evento e que também poderá auxiliar na divulgação junto ao público.

6- Recursos de acessibilidade durante o evento

Para que a experiência do seu público seja plena e empática, considere alguns detalhes importantes, como serviços de intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para tradução das palestras, bem como audiodescrição (essencial para pessoas cegas) e estenotipia (legendagem ao vivo, para pessoas surdas oralizadas). Na platéia, lembre-se de garantir corredores com no mínimo 1,50 metros de largura e espaço mínimo entre fileiras de cadeiras de 60 cm. Também se faz necessário haver espaços para pessoas em cadeira de rodas e assentos para pessoas com mobilidade reduzida (ex: idoso ou gestante) e pessoas obesas. Se for entregar algum material impresso, lembre-se de adicionar Braille e ter uma versão multimídia (ex: aplicativo ou totem).